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O OVO DA SERPENTE

O OVO DA SERPENTE

ZARCILLO BARBOSA
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Ainda vão arder por um bom tempo, as chamas ateadas pela estética nazista do secretário demitido Roberto Alvim. Pelo lado bom, servem para despertar a atenção, mais uma vez, para o perigo implícito do populismo: o autoritarismo cada vez mais exacerbado.


Bolsonaro, desta vez, agiu rápido. Nem tentou salvar o secretário da Cultura que havia tanto elogiado no dia anterior.


As pressões foram grandes, de todos os setores, a partir dos presidentes das duas casas do Congresso Nacional e da comunidade judaica.


Intolerável ouvir de um funcionário do governo um discurso que copiava o tom, ideias e até as palavras de Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda na Alemanha Nazista. Para o fundo musical do discurso foi escolhido um trecho da ópera romântica de Richard Wagner, Lohengrin. Uma das favoritas de Hitler, como revelou em sua biografia.


Lula também dissera, em 1979, numa entrevista à Playboy, ser um admirador de Hitler, Che Guevara, Fidel e Mao Tsé-tung. Num contexto diferente, é bem verdade, porque procurava dar exemplos de tenacidade na conquista dos objetivos maiores da Nação. O tal de fins-justificam-os-meios.


Mas, Goebbels, foi demais.  Quando se estuda Comunicação com finalidades ideológicas, os teóricos concluem que a metodologia empregada pelo “baixinho satânico” mais atrapalhou do que ajudou o projeto de dominação de Hitler. Hiperbólico e mentiroso, depois de algum tempo não convencia sequer os nazistas mais fanáticos. Ficou conhecido como uma espécie de Mefistófeles raivoso. Tinha uma figura ridícula com seu metro e meio de altura, coxo e narcisista.


A mulher Magda, flertava com Hitler e era correspondido. Goebbels se roía de ciúmes mas fazia de conta que não via, por se tratar do Füherer. Quando a Alemanha entrou nos estertores, envenenou a mulher, os seis filhos e se matou no bunker de Berlim. A prefeitura da cidade encontrou uma bela solução arquitetônica à exploração turística do Reichstag, onde se pode caminhar no domo de vidro. Mas, não sabe o que fazer para manter a custosa mansão de 400 cômodos, que Goebbels mantinha à beira de um lago, como garçonnière. É assim que os franceses chamam os locais reservados a encontros amorosos. O baixinho era mulherengo. Para ser artista na Alemanha nazista era preciso ceder aos caprichos desse fauno desenxabido.


Goebbels morreu em 1945, mas sua máquina de propaganda continua viva. Uma das técnicas é a de desqualificar os que não pensavam da mesma maneira. Talvez por isso Alvim não tenha se sentido constrangido em chamar de “sórdida” a primeira grande dama do teatro e da televisão, Fernanda Montenegro. Não foi uma “coincidência retórica”. Já deveria ter sido demitido, na ocasião. Desta vez, exonera-lo foi pouco. Se fosse na Alemanha estaria preso.


Para substituí-lo, Bolsonaro convidou Regina Duarte. Colocou-a numa saia justa. O salário do secretário da Cultura é de pouco mais de 15 mil reais. A namoradinha do Brasil ganha R$ 60 mil e quando está trabalhando o cachê dobra. Apoiadora contumaz de Bolsonaro, há muito não encarna personagens marcantes na dramaturgia da Globo. Vai ter que escolher.


Pouco importa se os extremistas de plantão trabalhem com bibliografias. O que faz de alguém um fascista não é ser especialista em Mussolini ou, se neonazista, um leitor de Mein Kampf. São suas ações e seu discurso que mobilizam e acabam justificando o autoritarismo.


Zarcillo Barbosa é jornalista
proximarota
1 Comentário
  • Edurdo Nasralla

    Bela analise, como sempre, mestre….parabens…

    18/01/2020 às 20:09 Responder

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