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Da Geração Perdida ao Cringe

Da Geração Perdida ao Cringe

ZARCILLO BARBOSA


A polêmica gerada em torno do significado da palavra CRINGE já virou cringe. O termo da língua inglesa é utilizado pela Geração Z para definir atitudes cafonas dos Millennials. Entendeu?


Os millennials são da geração com mais de 25 anos que gostam de tomar café, de Harry Potter e usam calça skinny, aquelas apertadinhas que acompanham o desenho do corpo. São cringe porque gostam de cerveja litro, ir para Disney, pagar boletos e usar emojis.


Ah! Ia me esquecendo: a Geração Z (GenZ) é a dos nascidos entre 1995 e 2010, ou seja, a moçada que pensa que vai salvar a natureza mas é a primeira que burla os protocolos sanitários. Principalmente aqueles que proíbem aglomerações e pedem uso de máscaras.


Também temos a Geração Y, que teria nascido com a internet, em meados da década de 1980, até aproximadamente o fim do século. Essa divisão geracional criada pelo fotógrafo Robert Capa para caracterizar o movimento Hippie, desembocou na Geração Selfie. Segundo estudos sociológicos, ela está cheia de gente preguiçosa, egoísta e insatisfeita. Tiram selfies até em Auschwitz.


Na verdade, todas as gerações têm seus altos e baixos. Nenhuma é melhor que a outra.


Como nasci durante a II Guerra Mundial, quando me dei por gente ouvia falar muito na Geração Perdida. O termo foi atribuído à poetisa Gertrude Stein e popularizado por Ernest Hemingway. Realmente, muito sacrificada. Nascidos entre 1883-1900, quando jovens lutaram na I Guerra Mundial, que deixou mais de 18 milhões de mortos nas trincheiras e ente a população civil.


Depois ainda passaram pela turbulência econômica da Grande Depressão. Os traços comuns dessa geração foram a decadência moral, as visões distorcidas do Grande Sonho Americano e um espírito totalmente alienado. Que se danassem os valores sociais conservadores, esse negócio de ouvir dos pais que “o sucesso só é atingido pelo trabalho árduo”. Seria melhor aproveitar a vida enquanto era possível.


Foi quando começou a Era do Jazz, o estilo à la garçonne com as mulheres usando cabelos curtos à altura da orelha e trajes mais masculinizados, calça comprida. Começou a discussão sobre gêneros e suas funções. Romance entre mulheres passou a fazer parte do enredo de grandes escritores. 


No mundo evoluído de hoje temos a LGBTQIA+, ou seja, lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer, intersexuais, assexuais e outros. Para quem ainda não sabe, Queer é uma atitude ou uma forma de se apresentar assumida por alguém que não se enquadra num comportamento normatizado da sociedade. Teríamos que ainda mencionar o cross-dresser, como o cartunista Laerte, que tem o fetiche de se vestir como mulher. E o Cisgênero? Quando a identidade de gênero do indivíduo está de acordo com a identidade de gênero socialmente atribuída ao seu sexo. Há taras para todos.


Para a Geração dos Baby Boomers é meio difícil entender essas coisas. Eles não sabem sequer mexer com aparelhos eletrônicos. Quando acabou a II Guerra o apetite sexual cresceu como se trepar fosse a última coisa a fazer antes que o mundo acabasse. O resultado foi uma explosão de bebês.


Não sei como será chamada a geração pós-pandemia. Tenho sim enorme preocupação com ela. Pela primeira vez na existência do homem-família, os filhos vivem pior que os pais. As pesquisas revelam que eles têm a metade da riqueza da geração anterior. Os nascidos na década de 1980 (millennials) são a primeira geração desde o pós-guerra que chega aos 30 anos com renda menor que os nascidos na década anterior.


O emprego estável desaparece, a renda de toda uma vida já não está garantida e talvez não possam receber aposentadorias públicas ou privadas. As qualificações profissionais pelas quais tanto se empenharam caducaram.


Restaurar os limites mínimos de sobrevivência digna da próxima geração será o maior desafio à sobrevivência da democracia, no mundo ocidental.

Zarcillo Barbosa é jornalista🤳🏻
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