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COMO SOBREVIVER NO NATAL EM FAMÍLIA

COMO SOBREVIVER NO NATAL EM FAMÍLIA

ZARCILLO BARBOSA
🎄

A ceia de Natal em família terá a volta do tio do pavê, do cunhado negacionista e daquela prima antipática que não cuida da avó doente



A pandemia deu uma trégua, mesmo com a nova ameaça da variante Ômicron. As pessoas vão se reunir sem a máscara de pano. Há esperança de que os sofrimentos com o luto, com a perda de empregos, fechamento de negócios e o longo tempo de reflexão em casa tenham ensinado muitas coisas boas, além de “como lavar as mãos”.


Pelo menos, que tenhamos aprendido a ser mais tolerantes na troca de opiniões e visões de mundo, e as festas de fim de ano sejam, realmente, de confraternização. 


Rever familiares, com alegria, é o que esperamos. Que fique para trás a velha mania de fazer das festas o momento de remexer velhas feridas, e provocar tensões desnecessárias.  


Como todo ser humano, o que a gente quer é se sentir amado e aceite. Ouvir com atenção as histórias que os velhos gostam de contar (e recontar), é uma questão de caridade. Ajuda muito, qualquer atividade que faça todos se sentirem que pertencem àquela família.


Há um elenco de assuntos que pode levar a discussões – heranças pendentes, política, futebol, religião…  Não quer dizer que devam simplesmente ser ignorados, mas há um tom e um lugar para tudo.  A coisa certa na hora errada resulta em caca. Querer resolver, logo no Réveillon, tudo o que não se discutiu durante o ano, já é demais.


A ceia pode desandar se a sogra resolver falar mal do Lula, justamente ela, que perdoa tudo do Bolsonaro.


Mamãe, acha melhor uma terceira via com Sérgio Moro e não vai querer perder no bate-boca. Está armado o “climão”. Alguém vai ter que atalhar com uma piadinha simpática, não-agressiva, daquelas que causam dissonância e interrompe discussões.


Melhor elogiar a leitoa assada pelo cunhado e o peru que a tia trouxe, guarnecido de farofa e pêssegos em compota. Também não precisa ser irônico por causa do arroz com passas da cunhada.


O “politicamente correto” é o exercício ilusório do impossível, como aquele de tentar pegar a merda pelo lado limpo.


Sempre é estressante conversar sobre política com pessoas que defendem ideias opostas às suas. As pessoas têm um instinto natural de provar suas habilidades, principalmente quando se trata de identificar e resolver situações complexas.


A coisa mais se complica quando alguém começa a falar de homofobia e de banheiro unissex, com tantos exemplos atuais. Fala-se até em machismo tóxico, termo usado para subverter, ridicularizar e enfraquecer a virilidade dos homens. Melhor deixar esses assuntos para depois…


A ideia que guia a comunicação não violenta é que a as pessoas até não concordem em determinadas questões, mas podem descobrir que possuem valores e desejos em comum.


Em tempo de Covid, com tantas perdas de entes queridos, quem sabe valha mais a pena se concentrar nas boas memórias. A harmonia familiar será redobrada.


Os americanos têm uma palavra que define esse estado de espírito, baseado na filosofia budista: mindfulness. Pode ser traduzida como “atenção plena”. Aquele estar consciente do que se passa à nossa volta – fantasias, emoções, sensações percebidas e aceitas como são.


É como se, por obra do espírito de Natal, de repente todos nós tivéssemos aprendido a ter uma atitude aberta, de curiosidade sincera, ampla e tolerante com o outro. E que o Menino-Jesus, a todos proteja.

Zarcillo Barbosa é jornalista
proximarota
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