
A COLORIDA CARTAGENA DE GARCÍA MÁRQUEZ
ZARCILLO BARBOSA
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A cidade colombiana, em que as cores e a cultura exaltam a alegria do seu povo, foi escolhida pelo Nobel de Literatura, Gabriel García Márquez, como destino perfeito para ambientar alguns dos seus romances.
As ruas estreitas de Cartagena de Índias são um convite a um passeio pelo passado colonial espanhol. A marca principal é o esplendor dos seus antigos casarões de fachadas de cores fortes. Nas janelas, nunca faltam um vaso de gerânio ou um pé serpenteante de flores de primavera, entrelaçando as grades de ferro batido.

Quem se interessar por um roteiro evocativo do velho Gabo, pode começar pela Rua San Juan de Dios, na cidade amuralhada. No número 3-81 o escritor deu os seus primeiros passos no jornalismo, na sede do jornal liberal El Universal.


Ainda no centro histórico da cidade, o antigo convento de Santa Clara hoje abriga o hotel cinco estrelas Sofitel. Vale uma visita no seu interior. Foi o lugar de inspiração para parte do livro “Do Amor e Outros Demônios”. Ali pertinho está a casa onde morou o Prêmio Nobel.
Vale lembrar que a cidade também foi o principal local de filmagem de “O Amor nos Tempos do Cólera”. A palavra tem dois gêneros: uma, masculina, para designar o “vibrio cholerae”, agente causador da diarreia infecciosa. Também é sinônimo de ira, fúria e irritação, no feminino. O filme traz no elenco, Javier Barden e Fernanda Montenegro.
Vários bares em Cartagena disputam a primazia de ter sido frequentado pelo célebre escritor. O Barzuto Social Club, no bairro boêmio de Getsêmani, é um deles. Ele estava sempre rodeado por amigos, segundo a proprietária. Gostava das músicas típicas, como a salsa e o calypso. Ele dizia que “o bolero é a vida”.
Outro bar que entra na disputa pelas preferências do Gabo é o La Vitrola, com apresentações quase diárias de ritmos latinos ao vivo. O clima retrô caribenho do bar é ótimo para um vinho banco gelado, acompanhado de camarões fritos, principalmente nas tardes quentes e lentas de Cartagena.
As cinzas do escritor foram espalhadas não jardim do Claustro de La Merced, que hoje abriga a Universidade de Cartagena.
A cidade amuralhada resistiu durante três séculos aos ataques dos piratas e bucaneiros ingleses. O corsário Francis Drake foi o único que conseguiu invadir a cidade, com 23 navios e três mil homens a soldo do reino britânico.

Cartagena faz jus ao realismo mágico, por suas cores, sua música e o passado de aventuras. Sempre que perguntado “por quê Cartagena? ”, Gabriel García Márquez respondia – “a cidade ideal é aquela que sentimos”.
A Copa Airlines tem voos diários desde São Paulo, com escala na cidade do Panamá.
Zarcillo Barbosa é jornalista
*Foto de capa: Lonely Planet