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PRAGA

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Museu à céu aberto numa das cidades mais lindas do mundo

 

 

A efervescente capital da República Tcheca, conhecida como a “cidade das cem torres”, compete com Paris como a mais bela da Europa. Também pudera. Praga seduz seus visitantes pelo romantismo de suas pontes sobre o rio Moldava, pela beleza do centro histórico e pelo castelo, morada de reis e rainhas no passado.

 

divulgação internet

 

 

Não é preciso falar uma palavra sequer em tcheco para aproveitar tudo de bom que Praga oferece aos visitantes. Afinal são mais 5 milhões de turistas por ano que cruzam a Ponte Carlos, vão até o Castelo, visitam suas  igrejas ortodoxas e seus bairros históricos.

 

(E.B.)

 

 

Volta e meia um som muito suave aos nossos ouvidos prevalece na multidão. De brasileiros que descobriram essa cidade linda, de dia ou de noite, com sol ou sob chuva, passeando por Mala Strana (Cidade Baixa) Hradcany, Staré Mesto (Cidade Velha) e todo circuito histórico.

 

Ou indo além, visitando cidadezinhas carregadas de charme pela redondeza, como Karlovy Vary, o balneário famoso pelas águas quentes terapêuticas e as que abrigam castelos que foram residência da realeza. Uma mais graciosa que a outra.

 

 

A melhor cerveja do mundo

 

Nas ruas e as rodovias as placas são escritas apenas em tcheco, mas não haverá qualquer problema para encontrar o hotel ou o lugar que se pretenda ir, já que o inglês e até mesmo o espanhol é facilmente compreendido. Em muitos restaurantes ao lado do cardápio em tcheco há a tradução em inglês e também, dependendo do lugar que você se dirija, em espanhol.

 

Fácil para se expressar na hora do transporte, da fome ou da sede. Seja de água – uma garrafa de meio litro custa cerca de CZ 39 (coroas tchecas) ou daquele líquido com o amargor do lúpulo – há plantações que lembram nossos parreirais no caminho entre Praga e Karloy Vary – que faz a cerveja tcheca ser reconhecida como a melhor do mundo. “Cof” em tcheco.

 

Peça uma “cof” ou  pivo, como a “beer” também é chamada e só não esqueça de escolher se prefere a clara, light ou a mais encorpada. Urquell, Budweiser (a original, não a americana), Krusovice, Kosel, Dacicky….. são servidas em taças pequenas e grandes. A Budweiser original nasceu ali. Em alemão quer dizer “algo ou alguém da cidade de Budweis” (em tcheco, a cidade chama České Budějovice), na Boemia. Lá, havia uma cervejaria que produzia cerveja com nome de Budweiser. Em 1876, dois norte-americanos “inspirados” pela cerveja da Boemia, começaram a fazer uma também, e chamaram de Budweiser também, pra dizer que era uma cerveja no “estilo da Boemia”.

 

Cerveja é assunto tao sério para os tchecos que todos os anos, no mês de fevereiro, acontece no país o Festival Internacional da Cerveja (beerseal.cz). Participam da festa cervejas da República Tcheca, da Europa e também de outros países, como Japão e Armênia. Em razão do grande prestígio desse evento cervejeiro e do crescente número de visitantes, este ano, a 27ª edição do festival ocorrerá justamente em České Budějovice, o lar da famosa Budweiser.

 

International Beer Festival 2016

Foto da 26ª edição do International Beer Festival (2016)

 

Em 2017 o evento acontecerá de 13 a 18 de fevereiro. Saiba mais: www.beerseal.cz

 

Para quem prefere os destilados, o Absinto, bebida favorita de Hemingway e Van Gogh, é vendido em várias casas especializadas em Praga. De teor alcoólico altíssimo (chega a mais de 70%, dependendo da marca), a bebida era muito consumida na Europa entre o final do século XIX e início do século XX. Desde a primeira guerra sua comercialização foi proibida em quase todo o mundo, em decorrência de casos de cegueira e loucura observados em usuários frequentes. Os efeitos secundários foram atribuídos a uma toxina psicoativa chamada Tujona, produzida por algumas das ervas utilizadas no preparo do “licor da fada verde”, como é conhecido.

 

Nos anos 90 a comercialização do Absinto foi liberada na República Tcheca, desde que a quantidade de tujona não exceda 10 mg, tornando-se um ícone cultural de Praga. Muitos turistas se esbaldam nas casas de Absinto, então a noite do centro da cidade acaba sendo bem movimentada.

 

Típica Absentherie de Praga

Típica Absentherie de Praga

 

Tradicionalmente é preparada uma taça com uma colher furadinha sobre ela (também vendida nas absentheries), onde se coloca um torrão de açúcar. Em seguida o Absinto é despejado sobre o açúcar, ateando-se fogo até que ele derreta completamente, escorrendo da colher e se misturando com a bebida. Antes do consumo adiciona-se água gelada

Tradicionalmente é preparada uma taça com uma colher furadinha sobre ela (também vendida nas absentheries), onde se coloca um torrão de açúcar. Em seguida o Absinto é despejado sobre o açúcar, ateando-se fogo até que ele derreta e escorra da colher, se misturando com a bebida. Antes do consumo adiciona-se água gelada

 

 

Pratos muito fartos

 

A gastronomia tcheca é muito parecida com a da Alemanha, país limítrofe. Carne bovina, de pato, frango,  salsichões, almôndega (no caso, de pão com embutidos), goulash (o ensopado encorpado deles é uma perdição!) carne de porco e de javali, sempre servidas com molho.

 

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O tradicional Goulash, sempre servido com pães

 

 

Há tanto javali em suas florestas, que o animal precisa ser abatido para não destruir as árvores e invadir propriedades agrícolas. A carne, substanciosa e feita à moda tcheca, tem um sabor especial, fazendo com que os clientes esqueçam a etiqueta e se entreguem ao prazer de lamber até o último caldinho do prato.

 

 

A conexão mais rápida

 

Muitas companhias aéreas voam para Praga com conexões nos mais diversos países europeus: AirFrance, Iberia, Lufthansa, entre outras.

 

Decidindo ir via Espanha, pela Iberia, é bom saber que a conexão é demorada, demandando cinco a seis horas em solo (para quem já conhece ou não Madri, a dica é sair do aeroporto e curtir a sua vida sempre pulsante com “tapas” e beijos).

 

Pela Lufthansa, minha escolhida, a conexão por Munique é imediata. O avião que parte, por exemplo, de São Paulo, às 16h45, chega em solo germânico pela manhã (horário local), às 6h20 e em menos de uma hora, via Air Dolomiti (a companhia italiana que atua em code share com a empresa aérea alemã) o visitante chega à terra de Kafka. Dentro do avião, por sinal um Embraer produzido no Brasil, são servidas salgadinhos italianos e se você já quiser ir entrando no clima cerveja.

 

 

Carlos IV, o transformador

 

Chegando em Praga é hora de deixar as malas no hotel e sair para conhecer a cidade. A maioria dos turistas parte para a Mala Strana e a Ponte Carlos, a mais famosa, que cruza o rio Moldava. Carlos IV foi tão importante para o povo da antiga Tchecoslovaquia que quase tudo por lá tem seu nome. Nas igrejas, nos castelos, nas cidadezinhas do entorno da Boemia Central e nos parques floridos.

 

A Ponte Carlos se destaca no horizonte. Um convite irrecusável para cruzá-la. Das 17 pontes que atravessam o Rio Moldava é, sem dúvida, a mais movimentada e a mais bela. Toda ladeada por esculturas de santos, incluindo de santa Elizabetha e de São João Nepomuceno.  Dizem que quem a toca, volta a Praga. Tomara que aconteça comigo!

 

A Ponte Carlos liga Malá Strana à Cidade Velha. Dela se tem uma linda vista do Rio Moldava (divulgação internet)

 

 

Praga e arredores (Karlstejn, Nizbor, Konopiste, Karlovy Vary, entre outros) são cercadas por cenários apaixonantes que fazem o coração pulsar mais forte. Seja pela emoção de se estar em lugares que continuam intactos datados de 1348 (quando Carlos IV era o imperador do Sacro Império Romano e eleito da Bohemia) somados ao exercício das caminhadas e subidas em torres igualmente seculares.

 

Praga (Ladislav Renner)

Os 520 metros da Ponte Carlos são vigiados por 30 estátuas de santos (Ladislav Renner)

 

 

Carlos IV merece mesmo todas as homenagens. Foi o responsável pelas maiores transformações de Praga, tornando-a uma das mais suntuosas cidades da Europa. No fim da Idade Média fez erguer templos e uma universidade. Pôs e prática projetos urbanísticos, restaurou o castelo e, em 1327, fundou o bairro Cidade Nova.

 

 

Menino de Praga

 

A Ponte Carlos liga a Cidade Velha à Malá Strana, região que se conserva como é desde o fim do século 18. O bairro, de 1257, guarda a Igreja de Nossa Senhora Vitoriosa, onde está a imagem do Menino Jesus de Praga.

 

 

A Igreja Nossa Senhora Vitoriosa e o altar onde fica a imagem do Menino Jesus de Praga (E.B.)

 

 

Depois de rezar e de pegar santinhos para os amigos, parta para o happy hour e as compras!

 

Uma dica é a Praça Venceslau, na Cidade Nova, considerada o boulevard mais animado da cidade, perfeito para a degustação ou para se encher o caneco com o melhor da cerveja tcheca.

 

Depois de provar uma, duas, três…. canecas você entenderá porque o consumo per capta do país gira em torno de 160 litros por ano, um dos mais elevados do mundo. Sabores como os das marcas Plzen, Urquell, Staropramen e Budweiser tcheca merecem vários brindes.

 

 

As matrioskas e as marionetes

 

O bate perna e o sobe desce faz parte do cotidiano de todos os turistas que escolhem o destino e se encantam com o artesanato local que inclui o boneco Pinóquio e as matrioskas, aquelas bonecas que se encaixam uma a uma como um ovo, ricamente pintadas e decoradas a mão. Dizem que elas foram criadas na Rússia, mas que as da República Tcheca são muito atraentes.

 

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Durante os passeios esses itens de artesanato vão se espalhando assim como o cheiro de quitutes típicos que fazem do destino também uma viagem gastronômica.

 

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O artesanato é bem colorido e atraente, assim como a comida de rua (E.B.)

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Torre do Relógio: onde todos se encontram

O relógio astronômico é a grande atração da Cidade Velha

 

Praga é uma das cidades mais antigas do mundo – sua fundação data de 80 a.C – o que  a torna ainda mais rica em aspectos históricos. É no centro dela que está localizado o relógio astronômico, um dos mais conhecidos do mundo. Quando se aproxima o momento da hora cheia, multidões se aglomeram na praça do relógio para um espetáculo único. Todos se posicionam com suas câmeras fotográficas e celulares para registrar o momento em que as figuras saem do maquinário para bater o martelo.

 

A praça do relógio fica lotada nas horas cheias, quando os ponteiros passam pelos signos do zodíaco (E.B.)

 

Durante todo o dia o movimento é grande na praça principal da Cidade Velha, mas o apogeu se dá antes das 17 e das 18 horas. É tanta gente que o difícil é conseguir um espacinho no chão para tirar uma foto. E é assim ao longo de séculos.

 

As imagens desse relógio datado do início do século 15 mostram, a cada 60 minutos, a passagem do Sol e da Lua pelos signos do zodíaco.

 

 

A igreja e a casa de Kafka

 

À direita do relógio fica a Igreja de Nossa Senhora Diante de Tyn, construída entre 1350 e 1511. Suas cúpulas em estilo gótico chegam a 80 metros de altura e servem como ponto de referência caso você se perca do grupo. No interior da igreja predomina o estilo barroco, destacando-se o grande altar rococó e a tumba do astrônomo Tycho Brahe, morto em 1601, quando era consultor do rei.

 

A Igreja de Nossa Senhora de Tyn é o ponto mais alto nos arredores da praça central de Praga. A fachada rústica e grandiosa impressiona também à noite, com iluminação especial

A Igreja de Nossa Senhora de Tyn é o ponto mais alto nos arredores da praça central de Praga. A fachada rústica e grandiosa impressiona também à noite, com iluminação especial

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Se cansar pare num dos charmosos barzinhos que promovem happy hours nas calçadas ou para ouvir jazz tocado na rua. Por ali é proibida a circulação de carros, diante do número enorme de turistas. Os únicos veículos autorizados são os “biciclos”, aquelas motos em que o motorista roda sem cansar as pernas, de pé, apertando apenas um comando.

 

Música ao vivo nas ruas de Praga (E.B.)

 

A circulação de automóveis é proibida em várias áreas turísticas; o único meio de transporte liberado é o biciclo

A circulação de automóveis é proibida em várias áreas turísticas; o único meio de transporte liberado é o biciclo

 

 

Perto dali, uma placa indica a esquina onde nasceu Franz Kafka (1883-1924), autor de aclamados livros, entre eles “A Metamorfose” e “O Processo”. Kafka morou em diversos endereços na cidade, a maioria nos arredores da praça do relógio. Os guias contam que recolhia-se numa das pitorescas casas da Rua Celetná para buscar inspiração e foi onde escreveu sua primeira obra.

 

No prédio azul de número 22 dentro do complexo do Castelo de Praga morou Ottla, uma das irmãs de Kafka, com quem o escritor viveu por algum tempo, entre 1916 e 1917. A rua repleta de casinhas coloridas é chamada de Viela Dourada (“Golden Lane”) porque ali viveram ourives do rei no século 17. Depois de anos de deterioração a viela foi restaurada e hoje abriga lojinhas de souvenires elegantes.

 

A casa 22, onde Kafka viveu com sua irmã, na Viela Dourada

A casa 22, onde Kafka viveu com sua irmã, na Viela Dourada

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Castelo: passeio obrigatório

 

São inúmeros os roteiros imperdíveis em Praga, principalmente em torno do rio Moldava. Incluindo apresentações de jazz, passeios de barco com jantar incluso, a feirinha de final de semana onde as frutas e legumes chamam a atenção.

 

Para quem tem pouco tempo, é obrigatória a travessia da Ponte Carlos, as fotos na hora cheia em frente ao relógio astronômico e a subida até o Castelo de Praga. Isso porque só a visita ao castelo é programa para um dia inteiro, no mínimo. Com 70 mil m², o complexo remonta à origem da cidade, no século IX e conta com vários palácios, igrejas e museus.

 

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Mapa de orientação ao visitante do Castelo de Praga

 

 

Atravessando o grande portão você avistará a imponente Catedral de São Vito na parte central da fortaleza, com gárgulas e a enorme rosácea enfeitando a entrada principal, no lado oeste do edifício. Os turistas, em grupos, se surpreendem com a riqueza dos detalhes.

 

A cada ano a República Tcheca recebe mais visitantes, interessados na arquitetura de quase dez séculos que foi poupada das guerras, do desenvolvimento urbano e dos reveses da história (E.B.)

A cada ano a República Tcheca recebe mais visitantes, interessados na arquitetura de quase dez séculos que foi poupada das guerras, do desenvolvimento urbano e dos reveses da história (E.B.)

 

A Catedral de São Vito e seus lindos vitrais (E.B.)

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Os vitrais da Catedral de São Vito (E.B.)

 

 

Já a capela de São Venceslau, situada no interior da Catedral de São Vito, tem paredes decoradas com pedras semipreciosas e afrescos. Prova da grandiosidade desse castelo, que reúne todo o esplendor da arte gótica e prédios renascentistas da época de Rodolfo II, o último Habsburgo a morar ali.

 

Jardins do Castelo de Praga (E.B.)

 

 

A Primavera de Praga e a Revolução de Veludo

 

Para quem quer conhecer mais sobre a história da República Tcheca,  visite o Museu do Comunismo (http://muzeumkomunismu.cz/) e o bairro de Karlín , que divide espaço entre as construções modernas dos edifícios comerciais e os “caixotões” dos anos 60-70, retos, sérios, sóbrios, divididos em metragem idêntica entre as famílias. Além de estátuas de ícones como Lenin e Stálin, o museu retrata a “Primavera de Praga” e a “Revolução de Veludo”, movimentos responsáveis pelo fim do comunismo no país.

 

O Museu do Comunismo recria situações, como uma sala de aula onde os professores eram chamados de “companheiros” pelas crianças, uma sala usada para interrogatórios e um típico ambiente de trabalho da classe operária

O Museu do Comunismo recria situações, como uma sala de aula onde os professores eram chamados de “companheiros” pelas crianças e um típico ambiente de trabalho da classe operária

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A “Primavera de Praga” foi um movimento de flexibilização política na Tchecoslováquia, iniciado em 1968, durante a dominação da União Soviética, após a Segunda Guerra Mundial. Alexander Dubček visou afastar as lideranças stalinistas do poder, transformando o regime existente num socialismo mais aberto e democrático. Entre as medidas reformistas estavam a abertura política do país e o incentivo às ciências e às artes. Embora tenha contado com o apoio de grande parte da população, o movimento foi derrotado, mas mostrou que o regime socialista imposto pela União Soviética apresentava sinais de desgaste.

 

Em 17 de novembro de 1989 policiais comunistas reprimiram uma manifestação estudantil em Praga, capital da antiga Tchecoslováquia, momento em que foi deflagrada a “Revolução de Veludo”. A partir de então uma onda de democratização avançou pelo leste europeu fazendo com que a liderança do Partido Comunista renunciasse, após quatro décadas no poder. As últimas tropas soviéticas partiram em maio de 1991, e um forte movimento de secessão levou à separação formal entre a República Tcheca e a Eslováquia, que foi oficializada em 1 de janeiro de 1993.

 

 

Cortina aberta

 

Após a Perestroika (que literalmente significa reconstrução) e a queda do Muro de Berlim, a República Tcheca adotou o capitalismo, teve suas empresas estatais privatizadas e entrou na União Européia se abrindo ao mundo.

 

A cada nova temporada a República Tcheca recebe mais visitantes. Prova de que abriu de uma vez a cortina, recebendo a todos de braços abertos. Vive uma nova primavera, oferecendo o melhor em termos turísticos.

 

Helga, que era criança nos anos 70, no auge da cortina de ferro (como o premier inglês Churchill se referia aos países do leste),  não esquece dos domingos, feriados e das comemorações cívicas, daquela época.

 

Todos, mesmo que as temperaturas estivessem bem abaixo de zero grau e o inverno fosse insuportável e úmido, tinham a obrigação de marcar presença nas cerimônias agendadas. A fiscalização era cerrada. Espiões se espalhavam pelas praças, prédios, locais de trabalho. Se alguém da família não comparecesse a punição era certa e imediata. Quem já assistiu as filmes dessa época sabe bem do que estou falando.

 

 

O bonde e a linha 22

 

Para alegria dos tchecos e nossa, que agora podemos descobrir todas as belezas desse país único, há mais de duas décadas a cortina se abriu, Praga e toda a República Tcheca (que faz parte da União Européia embora sua moeda não seja o euro, mas sim a Coroa Tcheca) se modernizaram, abriram seus espetaculares monumentos para o mundo e investiram em infra-estrutura. Hoje dá inveja aos brasileiros pela organização, segurança e modernidade do país.

 

É muito fácil percorrer o país de ponta a ponta, por conta de uma malha ferroviária, rodoviária e aérea de primeiro mundo. Dentro de Praga circulam nas 24 horas os “bondes” vermelhos (cor da bandeira nacional) levando os turistas e a população onde bem quiser. O “bonde” 22 é referência para tudo. O mais acessado pelos visitantes na capital por ligar os bairros mais distantes e a área dos hotéis ao centro do agito e da beleza.

 

Um dos primeiros bondinhos vermelhos ainda circula pelas ruas da cidade

Um dos primeiros bondinhos vermelhos ainda circula pelas ruas da cidade, mas os modernos, como o 22, são a grande dica para ir e vir

 

 

Beleza é o que não falta: em suas construções seculares, parques e praças impecáveis, nas margens do rio das pontes e na incrível quantidade de relíquias artísticas e arquitetônicas que garantiram à cidade um lugar de destaque.

 

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De qualquer ângulo, as fotos de Praga são lindas

De qualquer ângulo, as fotos de Praga são lindas

 

 

Vá não uma, mas várias vezes pois só assim poderá desvendar seus mistérios, os contrastes entre o passado e o presente, seus palácios, castelos, igrejas ortodoxas com suas cúpulas douradas, e prédios antigos que margeiam pontes e avenidas.

 

Na República Tcheca existem ao todo cerca de dois mil castelos e palácios dos mais variados gêneros. A Cidade das Cem Torres é linda, romântica, formada por uma mescla de estilos arquitetônicos das mais variadas épocas.

 

 

Sobrevivendo às guerras

 

Uma das mais belas capitais da Europa, Praga que sobreviveu às duas grandes guerras e à queda do comunismo, continua linda, intocada, com suas catedrais góticas, palácios barrocos e edifícios Art Nouveau.

 

A cidade impressiona principalmente por sua arquitetura impecavelmente preservada, e não é à toa: é a única capital européia poupada por guerras ou tragédias naturais.

 

 

Novidades em Praga*

 

A Cidade das 100 torres tem muito o que contar. Aqui algumas das últimas novidades da cidade que encanta seus visitantes.

 

 

MINT: Weekend Market

Mercado de Praga – Pavilhão 13, Bubenské Nabrezi 13, Praga 7 / www.mintmarket.cz

Desde 1º de outubro, todos os sábados, você tem a oportunidade de  visitar um novo conceito de mercado de design, oferecendo moda independente, jóias, acessórios e produtos gourmet. Este local tradicional tem a sua inspiração nos mercados de Bangkok e Camden Town e tentou trazer a sua atmosfera criativa para Praga. Imperdível no pavilhão 13, todos os sábados.

 

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Sylvius wine bistro e bruschetterie

Linhartská 2, Praga 1 / www.sylvius.cz

 

Um encantador restaurante que serve pratos leves e  frescos, totalmente recomendado para amantes do vinho. Oferece uma  seleta variedade de vinhos italianos, húngaros e tchecos que vão bem com a tradicional bruschetta italiana de até de 60 cm. Além disso, à noite, escondido no porão, fica um bar dedicado a coquetéis de gim e destilados.

 

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Casa Dançante  Hotel

Praça Jiráskovo 6, Praga 2 / www.dancinghousehotel.com

 

Dois andares da Casa Dançante, o icônico edifício dos arquitetos Vlado Milunic e Frank O. Gehry, foram transformados em um inigualável hotel de luxo, com um total de 21 quartos com uma cafeteria e um restaurante no piso superior. No topo da estrutura há uma espécie de mirante onde se pode apreciar o panorama de Praga. E quem quiser acordar com uma vista deslumbrante do castelo tem que ficar nas 2 suítes de luxo Fred Royal Suite e Ginger Royal Suite.

 

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Secret Garden Praga

Míšeňská 10, Praga 1 / www.facebook.com/secretgardenprague

 

A poucos passos da Ponte Carlos, uma nova padaria abriu e oferece serviço tanto dentro como no seu terraço acolhedor, que simula um jardim secreto. O menu é sazonal (mas seus hambúrgueres são muito populares e estão no cardápio todo o ano) e há diferentes tipos de bebidas para acompanhar a experiência.

 

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72ª edição do Festival Primavera de Praga

 

O mais importante evento de música clássica do país e um dos principais da Europa ocorrerá, em 2017, entre os dias 12 de maio e 2 de junho, trazendo 45 concertos com a participação de músicos tchecos e internacionais, além de outros eventos que irão cativar os fãs da boa música.

 

A abertura do festival esse ano ficará a cargo da Filarmônica de Viena, liderada pelo maestro Daniel Barenboim, considerada uma das melhores orquestras do mundo, que fará um tributo a Bedrich Smetana, célebre autor tcheco. Outras orquestras importantes serão a Toronto Symphony Orchestra, a Orchestre de Paris, a Filarmônica Tcheca e a Filarmônica de Brno. O encerramento do Festival terá programa conduzido por Krzysztof Penderecki, um dos celebrados compositores da segunda metade do século XX, que conduzirá a Sinfonia Sete Portões de Jerusalém.

 

O Festival Primavera de Praga terá apresentações noturnas e também algumas matinês e os ingressos já estão disponíveis para compra online: http://www.festival.cz/en/tickets.

 

 

* Estas são algumas novidades de Praga. Para saber mais, acesse: http://czechtourism.com

 

 

Texto e fotos: Eliane Barbosa e CzechTourism

Foto de capa: Igreja St Nicolas – Libor Svacek para CzechTourism

Eliane Barbosa
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