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O cavalo que não conseguiu ser cônsul

O cavalo que não conseguiu ser cônsul

ZARCILLO BARBOSA
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O imperador romano Calígula (37-41 d. C) deu ao seu cavalo Incitatus (Impiedoso) o título de Senador da República. Conta o historiador Suetónio, que Calígula cogitou nomear cônsul o seu quadrúpede, mas desistiu diante das pressões. Seria demais. O comércio exterior de Roma era muito importante, já que dominava o mundo conhecido à época. Para consolar o fogoso corcel, transformou sua figura numa estátua em mármore, com pedestal de marfim.


Alexandre, o Grande, deu fama ao seu cavalo Bucéfalo porque era considerado indomável. O conquistador percebeu que o cavalo se assustava com a própria sombra. Mudou a posição em relação ao sol e pode montá-lo, tranquilamente. Deu a ele uma cidade inteira, chamada Bucéfala, no atual Paquistão.


Nem sei por quê, pessoas ficaram abismadas quando o presidente Bolsonaro anunciou sua pretensão de nomear o próprio filho embaixador em Washington. O nosso “Trump dos trópicos” não vê nessa escolha nenhum nepotismo. As duas figuras históricas acima mencionadas, também não em relação aos seus cavalos. Fernando Henrique, que cavalgou Itamar Franco para chegar à Presidência da República, nomeou o benfeitor embaixador em Portugal. Não gostou do tempero do bacalhau. FHC, então, nomeou-o para a Organização dos Estados Americanos, em Washington.


A fim de elencar suas experiências para o importante cargo, Eduardo Bolsonaro, o ungido, revelou ter fritado hambúrgueres nos Estados Unidos. Se tivesse feito seu intercâmbio na Itália, e trabalhado como pizzaiolo, a embaixada merecida seria a de Roma. Ou então Dudu poderia ser embaixador em Jerusalém, cumprindo a promessa do seu pai que já está caindo o esquecimento. A embaixada continua em Tel Aviv.


O filho de Bolsonaro teria descoberto sua vocação para as relações exteriores quando da visita do seu pai a Donald Trump. Entrou na Sala Oval da Casa Branca, durante a audiência privada dos dois chefes de Estado. O chanceler Ernesto Araújo ficou esperando no lado de fora. 


Notícia de O Globo diz que Trump vai mandar o seu filho Eric para o Brasil, como embaixador em Brasília. Não se sabe se a recíproca é uma retaliação ou troca de gentileza. De qualquer forma, o “agrément” – o mandatário do país que vai receber o novo embaixador precisa concordar, primeiro – já estaria implícito nessa reciprocidade.


Outra informação nos diz que o presidente Jair Messias Bolsonaro extraiu um dente e terá que ficar três dias sem falar.


Imagine o prejuízo para a imprensa do país com o silêncio forçado de Bolsonaro. Espera-se que a mídia social não fique sem os seus lives diários. Os últimos foram ótimos:

  • Sobre a morte de João Gilberto: “Pessoa conhecida. Nossas condolências à família. Tá OK?”
  • Sobre a Amazônia: “O Brasil é uma virgem que todo tarado de fora quer”.
  • Sobre futura indicação para o Supremo Tribunal Federal: “Um dos ministros será terrivelmente evangélico”.


Os assuntos prioritários de Bolsonaro têm sido pesca, internet e armas. Segundo os observadores políticos, Reforma da Previdência vem em 24º lugar. O “mito”, com sua “nova política”, deu um belo presente de aniversário para o filho. Dudu fez 35 anos quarta-feira e já pode ser embaixador. Atingiu a idade mínima.


O presidente liberou R$ 5 bilhões em emendas parlamentares. Graças aos votos desses deputados, você trabalhará mais para se aposentar por menos. Se tiver emprego, é claro.

Zarcillo Barbosa é jornalista
proximarota
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