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JOÃO PESSOA: ONDE O SOL NASCE PRIMEIRO

JOÃO PESSOA: ONDE O SOL NASCE PRIMEIRO

Eliane Barbosa

Fotos Zarcillo Barbosa

 

 

A cada nova temporada João Pessoa ganha mais visitantes. A explicação é muito simples: é tranquila em relação a outras capitais do Nordeste, tem hotéis de vários padrões – dos simples aos luxuosos – fica no meio do caminho entre Natal e Recife e a qualidade de vida é invejável.

 

Às dez da noite, se você estiver em frente ao hotel, vai ver os moradores ainda se exercitando. Jogando vôlei, correndo, andando de bicicleta. Até mesmo festinhas infantis acontecem na orla limpa, iluminada, sem poluição.

 

 

Você pode ficar apenas na capital e curtir seu centro histórico, as praias urbanas, shoppings, etc. Mas a dica é sair para conhecer o litoral Sul, chamado como Costa do Conde, com praias realmente paradisíacas e o Norte, onde o que manda, nos finais de tarde, na Praia do Jacaré, é o Bolero de Ravel, executado há décadas pelo Jurandy, do sax.

 

Sobrando tempo invista mais: conheça Campina Grande, responsável pelo maior São João do Nordeste, cidade que cresce a olhos vistos, sede das Alpargatas, entre tantas outras indústrias e suas outras regiões: Sertão, Brejo, Cariri e Agreste. Para o litoral ou para o sertão saiba que você poderá contar com completa infraestrutura.

 

João Pessoa, que tem casario colorido e preservado, é a terceira cidade mais antiga do Brasil. Com mais de um milhão de habitantes continua sossegada, convidando à sombra, mar e água fresca, prova de que o progresso não mudou seu jeito de ser e de receber.

 

É campeã em qualidade de vida por ter um dos ares mais puros do mundo e imensas áreas verdes – uma das capitais mais arborizadas do Brasil.

 

Terra de gente de fibra, amante das artes e da literatura, como Elba e João Ramalho e Ariano Suassuna, a Paraíba, está aberta a muitas descobertas, com facilidade de acesso às praias mais desertas alcançadas agora com segurança e rapidez.

 

Marco do Cabo Branco, onde o sol nasce primeiro em território brasileiro

 

 

Pare, relaxe e curta

 

Os turistas em sua grande maioria elegeram o litoral sul como o mais belo da Paraíba. Eu não vou discordar. Paradisíaco com praias de areia fina, fofa e branca, águas cristalinas e mar calmo, praticamente sem ondas. Mas tem mais: corais e falésias multicoloridas que vão do amarelo ao avermelhado. Coisa de cinema!

 

 

 

E para deixar qualquer um ainda mais extasiado: águas sempre quentinhas e um sol radiante. Em muitas o sossego ainda é total já que não entram ônibus de turismo e o acesso é restrito.

 

 

 

Depois de sair do hotel a primeira parada será no Farol do Cabo Branco, de onde avista-se a Ponta do Seixas. Lugar para fotos de cartão-postal, mas cuidado: houve problemas de assoreamento da terra e parte do trecho está com tapumes. Não fique muito na beirada para evitar problemas.

 

Saindo dali é só seguir a PB-008, com asfalto impecável para chegar às demais praias que fazem parte do município de Conde. Sobrando tempo prossiga e vá até Pernambuco.

 

Em frente aos hotéis há filas de vans oferecendo transfer. Mas é bom consultar seu agente de viagens antes de contratá-los. A Lucy Receptivo é a principal nesse quesito e tem guias sérios. Na recepção do hotel é fácil contatá-los. Há também buggys que percorrem todas as praias com mais facilidade.

 

Você pode verificar os preços junto à Secretaria Municipal de Turismo (Telefone 83 3218-9852) ou com a Secretaria de Estado – PBTur (0800-281-9229).

 

 

Gramame e a Praia do Amor

 

A Barra do Gramame, que fica entre João Pessoa e Conde (é lá que funciona o único resort da Paraíba, o Mussulo), é geralmente a primeira parada. Lugar onde o Rio Gramame encontra o mar, oferecendo aos visitantes banhos de mar e fluviais.

 

Foto Mussulo Resort

 

 

Além de boa estrutura de restaurantes e lanchonetes. Os turistas adoram: a visão é linda: uma faixa de areia que divide as águas salgadas das salobras (mistura das do rio, doces, com as do mar, salgadas). Cerveja gelada, petiscos variados, incluindo o delicioso agulhinha (peixinho que só é encontrado no Nordeste) são dicas para você esquecer todos os problemas e relaxar.

 

Na sequência vem a Praia do Amor (se você estiver de buggy ou veículo 4×4). É a primeira da Costa do Conde, lugar cercado de lendas como a de que se a moça quiser casar deve passar três vezes pelo arco do amor sonhando com o príncipe encantado. Trata-se de uma formação rochosa de pedra vulcânica que recebe as ondas fortes do mar.

 

Os ônibus de excursão, por conta da dificuldade de acesso, geralmente não incluem a Praia do Amor no roteiro, mas há boas notícias: trechos serão asfaltados facilitando o acesso.

 

 

Jacumã e os gringos

 

Pertinho fica Jacumã, eleita pelos estrangeiros para temporadas no Brasil. Muitos ficaram tão encantados que investiram em pousadas. É praticamente uma praia urbana com boa estrutura, perfeita para dias de sol e de paz.

 

Na sequência, também lindas e próximas ficam as praias de Tabatinga e Coqueirinho, cerca de dois quilômetros à beira-mar. Há muitos quiosques à beira-mar e aluguel de cadeiras e guarda-sóis.

 

Na Paraíba, há vários roteiros a partir de João Pessoa. Entre os básicos, merece uma pausa a Barra de Gramame, onde o rio desemboca no mar. Em seguida, vem Jacumã, onde a Pedra Furada chama todas as atenções.
Tabatinga e Carapibus são também paradisíacas. Coqueirinho vem na seqüência, com sua areia fina como talco, barraquinhas e muita estrutura. Perfeita para quem quer passar horas boiando na água verde cristalina, ou relaxar à sombra do coqueiral.

 

Praia do Coqueirinho tem bons restaurantes e piscinas para os clientes

 

Praia Bela, há poucos quilômetros de João Pessoa, faz jus ao nome

 

 

Nudismo

 

Próximo destino onde a ordem é se sentir bem: Tambaba, o paraíso dos nudistas, que na verdade tem duas partes: uma aberta a todos os visitantes com piscinas naturais formadas por arrecifes e emolduradas por falésias multicoloridas e outra restrita.

 

Linda praia de Tambaba. Em outra área é praticado o nudismo

 

 

 

Não é preciso ficar como veio ao mundo para curtir suas areias finas como talco. Somente se você quiser entrar na área privativa terá que subir a escadinha de madeira muito bem guardada por segurança, pagar a taxa estipulada para tal e se despir.

 

Há lá dentro pousadas caso você se empolgue e queira ficar ali hospedado para um contato ainda mais prazeroso com a natureza. Ficar do jeito que se veio ao mundo é ordem por ali. Mas entenda que naturismo nada tem a ver com sexo ou sacanagem. O ambiente é familiar. Todos se respeitam. Quem já entrou garante que essa parte é uma das mais lindas de todo o litoral paraibano.

 

Uêpa!

 

 

Pôr-do-sol com bolero no litoral norte

 

Quando o sol se despede do dia, começam os prazeres musicais

 

Um dos lugares mágicos para se curtir o final da tarde é a praia do Jacaré (que pertence ao município de Cabedelo) lugar onde os acordes de Bolero, do francês Maurice Ravel (1875-1937) chegam a causar arrepios.

 

A música é tocada diariamente ao pôr-do-sol à beira do Rio Paraíba num espetáculo que reúne turistas curiosos e moradores da redondeza. Jurandy, com traje todo branco, antes das 17 horas (o sol nasce e se põe muito cedo na Paraíba), navega pelas margens, chegando muito próximo aos catamarãs lotados de turistas.

 

Jurandy toca o Bolero, de Ravel, no sax, ao pôr do sol na Praia do Jacaré

 

 

 

 

Além do Bolero de Ravel, a praia do Jacaré, no verão, se transforma em point da juventude paraibana e dos turistas, que durante dias de sol realizam passeios em embarcações e Jet-Skis. A rua principal é repleta de lojinhas de artesanato, restaurantes e de pontos de apoio para quem quer devidamente sentado acompanhar as apresentações gratuitas de MPB.

 

Lojas de artesanato na Praia do Jacaré

 

 

Areia Vermelha

 

Dependendo da maré – consulte a tábua antes de marcar a viagem – outro espetáculo imperdível em João Pessoa é conhecer Areia Vermelha. A imagem torna-se surreal durante as luas cheia e nova.

 

Situada a dois quilômetros da costa, ou a dez minutos de barco, esse banco de areia no meio do mar tem horário marcado para receber e se despedir dos visitantes.

 

Minutos antes da maré baixar, uma dezena de barcos-trailers encalha no banco de areia e se transforma em bares servindo toda sorte de petiscos e bebidas. Uma espécie de piscinas naturais de Porto de Galinhas e de Pajuçara, respectivamente em Pernambuco e Alagoas, mas com areia vermelha.

 

 

Tão belo e tão perto

 

Mesmo na área urbana há praias e atrações para todos

 

Mas não é preciso ir longe para curtir a cidade. Os principais hotéis de João Pessoa estão localizados nas praias urbanas dotadas de quiosques e centros comerciais. Mesmo os bem simples comercializados pela CVC e a colônia de férias do SESC são bem localizados. Cabo Branco é uma praia mais distante das principais atrações da cidade, mas bem segura, tranquila. Na última vez que estive em João pessoa, fiquei por lá.

 

Cabo Branco em foto de Cacio Murilo (divulgação)

 

A praia do Cabo Branco, em João Pessoa, é servida por grande rede de hotéis para todos os bolsos e gostos

 

 

O turista entra na Capital paraibana pela praia do Bessa (onde há desova das tartarugas marinhas) e percorre 30 quilômetros de movimentadas e bem estruturadas praias urbanas.
Manaíra, Tambaú, Picãozinho (um conjunto de corais onde se formam piscinas naturais durante a maré baixa, no mar de Tambaú), Cabo Branco, Ponta do Seixas (onde se encontra o Ponto Extremo Oriental das Américas) e Penha são as mais visitadas pelos turistas.

 

Houve deslizamento de terra junto ao Farol do Cabo Branco, na Ponta do Seixas e infelizmente parte da paisagem está cercada por cercas de proteção.

 

A partir deste ponto, começa-se a descer o litoral sul. Praias com surpresas agradáveis, uma melhor que a outra.

 

 

Centro histórico e o Convento

 

Ao contrário de outras capitais nordestinas, João Pessoa não foi colonizada a partir do mar e sim do rio. Isso porque a barreira de corais em todos os 25 quilômetros de seu litoral era intransponível para os navios portugueses. Nasceu de costas para o mar, desenvolvendo-se primeiro, a partir do rio. Somente nos anos 70 é que as construtoras começaram a desbravar os caminhos do mar e a urbanizar seu litoral.

 

Por conta disso é bom conhecer sua história nos city tour a cargo da Lucky Receptivo.

 

Comece, então, pelo melhor: o conjunto barroco formado pelo Convento de Santo Antônio, pela Igreja de São Francisco e por seu impressionante cruzeiro. Antigo convento de franciscanos, o complexo religioso começou a ser construído em 1589 e levou praticamente 200 anos para ficar pronto. Lá dentro há um belo acervo de arte sacra dos séculos 18 e 19. A maioria das peças foi esculpida em madeira policromada.

 

Igreja de São Francisco e Convento de Santo Antônio. Levou 190 anos para ficar pronto.

 

 

Preste atenção à imagem de Nossa Senhora do Rosário, do século 17. A obra foi encontrada durante a restauração do prédio – que ficou fechado entre 1979 e 1990.

 

 

 

 

A história da igreja, atualmente tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), é contada pelo caminho, nas peças de pedra calcária encontradas durante a restauração e expostas aos visitantes.

 

Construída pelos franciscanos, foi quase destruída durante a invasão holandesa (1634-1654), cujo exército usou o lugar como forte. De volta à congregação, foi ampliada e, por isso, cômodos como a capela dourada, a casa de oração, o claustro e a sacristia datam do século 18. Fechada por mais de uma década, hoje abriga o Centro Cultural São Francisco.

 

 

Forte de Santa Cataria, de 1597, defendeu Cabedelo das invasões holandesas

 

Canhões do Forte de Santa Catarina

 

 

Há, ainda, um museu de arte popular, que guarda mais de 1.000 peças em seu acervo, com obras representativas de todas as regiões do País. Anote na agenda: vale a pena visitá-lo.

 

O complexo fica na Praça São Francisco, s/n.°; Telefone: (83) 3218-4505. Funciona de terça-feira a domingo, das 9h às 12h e das 14h às 17h.

 

 

O casario colorido

 

Outro lugar que não pode fugir do roteiro: uma parada na Praça Anthenor Navarro, que reúne no coração do centro histórico os principais prédios restaurados. A recuperação começou nos anos 80, quando a área estava totalmente degradada.

 

Entre no primeiro prédio restaurado, do Hotel Globo, o precursor da cidade, atualmente sede do Consulado da Espanha, país que ajudou com verbas para a preservação de toda a área. Datado de 1929, o lugar serviu de palco para grandes discussões da época, até a década de 50, quando parou de funcionar. Hoje é, assim como toda praça, tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural do Estado.

 

O legendário Hotel Globo, restaurado, hospedou gente famosa no século passado

 

Quase ao lado do hotel fica a a Igreja São Frei Pedro Gonçalves, do fim do século 19, reaberta, depois de todo o trabalho de restauração em 2002. Contam os guias que “durante a restauração, foram encontrados vestígios de uma capela, possivelmente do século 17, expostos dentro da igreja”.

 

Igreja São Frei Pedro Gonçalves, no centro histórico de João Pessoa

 

 

Desça suas escadarias e conheça o os museus e lojas de artesanato e de esculturas em ferro.

 

Há muito mais para ser revitalizado na região conhecida como Porto Capim, onde tudo começou, já que muitos prédios históricos sofrem com a ação do tempo e acabaram virando alvo de ocupações irregulares, mas já é uma boa mostra da importância de João Pessoa, num passado não tão distante.

 

 

 

 

 

 

*Foto de capa: divulgação

 

Eliane Barbosa
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