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FUNDO ELEITORAL PARA OS NEGROS

FUNDO ELEITORAL PARA OS NEGROS

ZARCILLO BARBOSA
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Deputados e senadores vivem fingindo que vão fazer reforma política. Desde o fim da década de 1990.


A única coisa realmente modificada foi a da criação do Fundo da Democracia (cínicos). Nada mais do que o velho fundo eleitoral, que no passado era de R$ 200 milhões, passou para R$ 800 milhões e, em seguida, deu um quádruplo salto mortal-carpado, para mergulhar em R$3,6 bilhões.


Nas últimas eleições, foram contabilizadas 280 mil infrações nas doações de pessoas físicas e na utilização de laranjas, principalmente nas cotas destinadas às mulheres. Recibos frios. Rachadinhas. A candidata se inscreve, assina que recebeu o dinheiro para a campanha, mas só fica com uma ínfima parte.


Ainda não se tem notícias sobre as consequências aos fraudadores e beneficiários.


Nesta eleição, os partidos estão obrigados a também destinar recursos do fundo eleitoral, de maneira proporcional à quantidade de candidatos negros e brancos. Se a legenda apresentar 20% de candidatos negros deve destinar o mesmo percentual do fundo a esse grupo.


Vale para a divisão do tempo de propaganda eleitoral “gratuita” no rádio e na televisão. “Gratuita” vem entre aspas porque, de gratuita nada tem. A propaganda é paga às emissoras pelo governo com a isenção de impostos. A renúncia fiscal ultrapassa R$ 1 bilhão.


É mais uma reparação justa aos negros, que foram essenciais no desenvolvimento do Brasil e responsáveis pela riqueza do baronato, sob trabalho escravo. Pena que chegue com 132 anos de atraso.


Há quem chame isso de “racismo reverso”, ou seja, uma discriminação contra os brancos. Até a dona do Magazine Luiza foi chamada de racista ao reverso, por abrir a contratação de trainees negros. Trainees são funcionários jovens que passam por um processo de preparação para assumir cargos de liderança na empresa. Salários acima de R$ 6 mil.


Racismo reverso não existe. Tanto quanto Papai Noel ou o machismo reverso. Ou homossexualismo, para ser mais enfático.


Vão achar um jeito de burlar a cota. Dezenas de candidatos a prefeito e vereador, que antes se declaravam brancos, agora viraram negros ou pardos. Aconteceu com a lei de cotas nas Universidades.


Temos 33 partidos no Brasil. Nenhum país tem tantos. Temos esquerdistas radicais, esquerdistas não-stalinistas, centristas, direita cristã, direita laica, socialistas, sociais-democratas, economistas-libertários e … A lista é longa.


Em voto distrital, comum nos países desenvolvidos, os partidos não querem nem ouvir falar.


Abrir um partido político no Brasil é um grande negócio. Só perde para igreja. Seus dirigentes vivem de contribuições, têm salários isentos de impostos e nem precisam gastar sola de sapato ou amassar barro na periferia. Os caciques, desses chamados nanicos, se locupletam do dinheiro que recebem do contribuinte.


O fim das coligações proporcionais acaba com as legendas de aluguel. Bom para os grandes partidos, já conhecidos.


Há partidos políticos pequenos que são sérios, ideologicamente consistentes e que se propõem a contribuir com os grandes debates nacionais. Sempre preferiram a chapa puro-sangue, sem coligações.


A democracia, afinal, é muito mais do que apenas a vontade da maioria, ela também deve dar voz às minorias.

Zarcillo Barbosa é jornalista
proximarota
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