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Curaçao – O caribe autêntico

Curaçao – O caribe autêntico


ELIANE BARBOSA
🏝


Engana-se quem pensa que viajar a Curaçao é muito caro, preferindo destinos mais econômicos. Na verdade, dependendo do pacote, pode sair bem em conta.


Andei pesquisando os preços dos pacotes no site www.partiucuracao.com.br  e operadoras como CVC, Viajar Barato e Flytour e realmente, dependendo da companhia aérea, do hotel e do regime de pensão escolhidos, a viagem se encaixa em muitos bolsos brasileiros.


E com diferenciais. Você conhecerá uma outra cultura, terá ao seu dispor um mar translúcido, especial para os amantes do mergulho, temperaturas na casa dos 27 graus com um céu sempre limpo, não precisará temer qualquer ameaça de furacão e vai se encantar com o casario mais colorido do Caribe.


A população fala pelo menos quatro idiomas e consideram o holandês o mais difícil. No seu caso, mesmo que você não fale lá muito bem inglês ou espanhol, vai se virar muito bem com palavrinhas básicas do papiamento (leia mais sobre essa forma de comunicação na sequência).


Afinal, é um dialeto que tem muito do nosso português. Bon bini! Vamos nessa?


Confesso que quando pisei na ilha me surpreendi com o tamanho das pessoas. Homens e mulheres “gigantes” para o padrão médio brasileiro. Chernobi, o guia que nos recebeu, tem quase 2 metros de altura e um sorriso cativante. Passada essa surpresa agradável, fui logo adorando a recepção, o clima, sua gente, suas cores, cheiros e sabores.


O aeroporto já é uma graça. Todo colorido, cercado por flores e muito verde, numa sacada genial do paisagista para quebrar a aridez do solo onde cactos predominam. Conforme a van segue, mais surpresas: tudo muito limpo, o mar dando o ar da graça, propriedades rurais com plantações de aloe vera (a nossa babosa), restaurantes onde pratica-se a autêntica gastronomia crioula e, chegando ao centro: o sky line mais lindo do Caribe. E a ponte que se levanta para a passagem dos navios.

Punda
Vista noturna


Superinteressante.  De um lado dela Punda. Do outro, Otrobanda, na graciosa capital Willemstad. Como se vê Curaçao é uma caixinha de surpresas. Autêntica. Diferente. Perfeita para sua Próxima Rota.

Willemstad é dividida em duas partes, Punta e Otrabanda, separadas pela baía de Santa Ana

O coração do Caribe


Chamada de “o coração do Caribe” e “Ilha dos Homens Gigantes” é um destino que pode ser visitado o ano todo. Eterno convite para mergulhos, exploração de naufrágios e da vida subaquática.


Para acompanhar as acrobacias dos golfinhos, passar horas de relax em suas praias quase privativas, pequenas se comparadas às nossas e outros lugares caribenhos, provar a autêntica cozinha caribenha no Marshe Bieu, o mercado central flutuante , bebericar nos hotéis “all inclusive”, comer queijo Gouda , puro ou misturado em inúmeros pratos, dos salgados aos doces e desbravar seus museus.


Museus: a escravidão, o licor e os avestruzes


Incluindo o que reproduz a triste saga dos africanos que chegavam à ilha nos terríveis navios negreiros – e que curiosamente fica dentro dos jardins de um hotel lindíssimo, o Kurá Hulanda (http://www.kurahulanda.com/). Vale a pena conhecer os vestígios da escravidão mesmo que isso te leve às lágrimas por conta das condições sub-humanas a que eram submetidos (o espaço das algemas é de arrepiar).


Para voltar ao normal, e esquecer essas atrocidades, caminhe pela ruela interna que tem passagem livre, sente numa mesinha e peça uma Amstel (a cerveja holandesa original).

Aprenda tudo sobre a produção do famoso Curacao Blue na destilaria Landhuis-Chobolobo


Curaçao tem plantações de aloe-vera e até museu da planta, assim como de outras espécies nativas ou que se desenvolveram muito bem por lá e, o Museu do Licor.  Eu comprei a garrafa mais conhecida, a original, azul, mas há outras colorações – amarelo, vermelho … ao gosto do freguês.


Outro passeio interessante é conhecer a Fazenda dos Avestruzes. Enormes. Vá e me agradeça pela dica. E não se esqueça da caverna Hato, nada a ver com o animalzinho que me paralisa. Muito interessante entrar em seus labirintos.


Flutuando na água azul


No centro o movimento é constante assim como o vento que ameniza o calor. Eu adorei ir e voltar do resort mesmo estando bem longe, numa ponta, para fazer comprinhas (sem pagar impostos) na loja Penha, interagir com os locais e admirar os artistas de rua. Relógios, perfumes, roupas de grife são encontrados em lojas e boutiques. E claro também produtos made in China e muita túnica indiana. Muitos comerciantes falam e entendem o nosso português. Portanto compre, pechinche e sorria. Afinal você está em Curaçao!


Dizem que esse movimento sentido no centro é causado também pela sensação de se estar quase flutuando na água, e não parado.  “O sentido que se tem do tempo é maior – algo muito diferente nas ilhas em relação às cidades”, descreveu o poeta caribenho de Santa Lúcia e prêmio Nobel, Derek Walcott, para você ter a exata noção do que é estar por lá.


Tempo, tempo, tempo, tempo


Os caribenhos, segundo Walcott , “não vivem muito pelo relógio, e “se você tem de estar em um lugar onde você cria o seu próprio tempo, o que aprende, eu acho, é a paciência, a tolerância, e como se tornar um artesão de si mesmo em vez de ser um artista”.


E é isso mesmo. Quando você chega no aeroporto já nota como é a vida por lá. As cores alegres predominam, inclusive nas imensas unhas das mulheres de pele morena que encantaram e continuam encantando os descendentes de holandeses, esses de olhos azuis. Fiquei com uma vergonha danada das minhas unhas curtinhas!


Mas depois fui relaxando, arriscando um papiamento ou outro. Por conta das derivações em latim, o nosso português muitas vezes acaba sendo entendido.  Além disso, há brasileiros vivendo na ilha assim como muitos portugueses provenientes da Ilha da Madeira. Muitos trabalham nos resorts que contam – na maioria – com cassinos. A jogatina rola a noite toda. Eu não sei jogar, mas me arrisquei naquelas maquininhas barulhentas e iluminadas e que aceitam pouca grana.


O Forte e a Ponte Queen Emma


A Capital de Curaçao, Willemstad, é dividida em duas pela Baía de Santa Ana: Otrobanda é a região a oeste, tendo o Fort Rif – patrimônio da Unesco – como uma de suas maiores atrações.

Willemstad vista de dentro do Rif Fort


Dentro do prédio funcionam lojas, bares, restaurantes e até mesmo quartos de hotel. Perto do forte fica o Museu Kura Hulanda, citado acima, imperdível para você conhecer detalhes da história da ilha e de sua colonização que misturou africanos com europeus.


Para ir ao outro lado, basta atravessar a pé a ponte Queen Emma, que se desloca para dar passagem aos navios. Observe o movimento ali no porto. Assim que o navio passa, a ponte volta a funcionar para a travessia dos pedestres.


Em Punda (que é mais velha do que Otrobanda), fica o mercado antigo Marshe Bieu, que serve comida caribenha preparada ali mesmo por várias cozinheiras. Você come em imensas mesas de madeira maciça, lambendo o prato de tão boa que é a comida. Trata-se de um mercado flutuante onde pode-se ainda comprar frutas que chegam diariamente por barco.


Também nessa região fica a sinagoga ocidental mais antiga em atividade contínua, a Mikvé Israel-Emanuel, de 1732, com chão de areia remetendo à perambulação judia de 40 anos pelo deserto.


Ela foi construída pelos judeus portugueses que fugiram do nazismo e também fundaram a sinagoga do Recife, aqui no Brasil. Parte deles ficou em Curaçao; outros se fixaram em Nova York.


Outros destaques da região ficam por conta  de bares típicos e do Forte Amsterdã, do século 18, hoje sede do governo da ilha.

Alojado em uma mansão colonial holandesa, o Restaurante Beans serve um excelente café espresso.
Para bons drinks, vá ao Miles Jazz Cafe. Nas noites de sábado há música ao vivo.

Águas azuis, areias brancas


As praias de Curaçao são, em extensão, menores dos que as de sua vizinha, Aruba, mas nem por isso menos interessantes. São como todas do Caribe, paradisíacas.


Algumas abertas ao público. Outras somente com ingresso. Por alguns dólares ou florins (a moeda oficial da Ilha) o visitante pode usufruir desses lugares espetaculares, alguns delimitados por rochedos que garantem privacidade quase que total.


Grote Knip, a 25 quilômetros a oeste do centro e a pequena Playa Kalki são abertas a todos. Já Casa Ablo, a 15 quilômetros a oeste do Centro, e Port Marie (com barreira de arrecifes e muito procurada para snorking) a 12 quilômetros a oeste, cobram pela entrada, mas oferecem completa infraestrutura incluindo chuveiros, lanchonetes, sombra e cadeira de praia (para usá-las desembolse mais alguns trocados).


Perto dos hotéis – bem ao lado do Super Breezes (onde eu me hospedei) cadeia internacional com sistema all inclusive – fica a praia mais lotada da cidade: a Seaquarium Beach, que faz parte do complexo do Seaquarim, onde pode-se nadar com golfinhos ou somente assistir a suas exibições acrobáticas.


Ao lado do Seaquarium funciona o Mambo Beach, um ponto especial para quem quer prolongar a noite embalado aos melhores ritmos caribenhos.


Curaçao tem quase 40 praias. Aqui um resumo das mais procuradas:

  • Mambo Beach – tem maior estrutura ao sul de Willemstad (cerca de 7 km), com resorts à beira mar.
  • Jan Thiel – familiar, fica na área residencial mais desejada da ilha.
  • Kokomo – nessa micropraia a cerca de 12 km de Willemstad é realizada mensalmente a festa da lua cheia. Os happy hour aos domingos são famosos.
  • Port Marie – com plataforma flutuante para descanso no mar, chuveiros, restaurante e um duplo recife de corais  que atrai mergulhadores com cilindro ou snorkel (25 km de Willemstad).
  • Jan Kok – nessa antiga salina próxima de Port Marie é possível observar flamingos em seu habitat natural.
  • Cas Abao – a 29 km de Willemstad, é paradisíaca, cheia de morros e  vegetação. O acesso é pago.
  • Grote Knip (Kenepa), Lagun e Jeremy – de 37 a 40 km de Willemstad. Ficam na ponta noroeste. Muito procuradas por mergulhadores.
Lagun beach
  • Klein Curaçau – fica a duas horas de Curaçao e o trajeto é feito de barco. Klein significa pequeno em papiamento. O passeio custa em torno de US$ 100 com direito a mergulho (*consulte as agências de turismo locais).

Saiba mais


Para pacotes, consulte as operadoras: Viajar Barato, CVC, Flytour, entre outras.


A moeda oficial é o florin, mas dólar também é aceito. É recomendável ter um pouco de florin para utilizar como troco. Muitas vezes você faz o pagamento em dólar e recebe o troco em florin.


Transporte: a melhor dica é sempre locar um carro. Sai mais barato que utilizar táxi e dá mais liberdade para sair e explorar todas as praias.


Eliane Barbosa é jornalista




*FOTOS: DIVULGAÇÃO

proximarota
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